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Linguagem e IA Generativa como Campo de Disputa

O Prompter Hacker: Um Agir Insurgente

O site-galeria foi projetado para ser aberto, incorporar novos trabalhos, relatos de criação, novas camadas de leitura crítica e ser ocupado. Com isso, o PrompterHacker.io se posiciona como projeto em expansão, capaz de sustentar debate, fruição artística e apropriação pedagógica.

O site-galeria Prompter Hacker é dispositivo de exibição e documentação da pesquisa, assumido também como obra artística e experimento em si. Diferentemente de ambientes digitais concebidas como suportes neutros de circulação de conteúdo, o site foi deliberadamente desenvolvido como artefato crítico independente à pesquisa, no qual forma, funcionamento, linguagem e mediação algorítmica tornam-se parte indissociável do campo de disputa investigado ao longo do trabalho.


A decisão de assumir o próprio produto final como obra-experimento foi uma escolha epistemológica e de aprofundamento na linguagem: se a pesquisa investiga como a linguagem disputa e reinscrição nas inteligências artificiais generativas, então o espaço onde essa linguagem se organiza, circula e se torna pública não poderia permanecer fora da análise. O site passa, assim, a operar como campo expandido da pesquisa, onde teoria, prática artística, infraestrutura digital e experiência do visitante se entrelaçam.


Essa opção dialoga diretamente com a compreensão das infraestruturas digitais como arranjos sociotécnicos responsáveis por produzir regimes de visibilidade, autoridade e verdade.


Um dos elementos centrais do site-galeria é a presença de um agente de inteligência artificial concebido e treinado pelo coletivo especificamente com os textos da pesquisa. Diferentemente de chatbots institucionais orientados à eficiência informacional, esse agente foi idealizado como obra conceitual e dispositivo de mediação não pacificada.


Ao ser treinado com uma lógica crítica a partir deste trabalho, que denuncia a captura da linguagem e dinamicas do regime sociotécnico digital, o agente passa a operar em uma zona de tensão: ele responde, orienta e dialoga, mas simultaneamente expõe os limites, paradoxos e riscos da própria automação discursiva. Em diversos momentos, o agente reconhece sua incapacidade de intervir, deslocando-se da posição de mediador oraculo para a de objeto de análise.


Nesse sentido, o agente é apresentado como encenação crítica da promessa contemporânea de delegar à máquina funções de mediação do pensamento. Ele materializa, em tempo real, aquilo que a pesquisa descreve teoricamente: a tendência das IAGs a “condicionar o discurso”, modelando o que é mais fácil, plausível e aceitável de ser dito, sem governar explicitamente, mas produzindo efeitos profundos de normalização.