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Linguagem e IA Generativa como Campo de Disputa

Matriz simbólica PACTO

PACTO é dispositivo de instrução subjetiva que convoca artistas brasileiros (cujas obras caminham pela memória, corpo, natureza, identidade e imaginação) a experimentar e criar usando plataformas generativas. O convite é claro: Provocar, Abstrair, Contrariar, Transformar e Ocupar sistemas de Inteligência Arificial Generativa (IAG).

P – Provocação:


Provocar é criar condições para que a IAG revele aquilo que evita mostrar. É acionar um ponto de tensão. A provocação funciona como ruptura controlada: o prompt força a IAG a se aproximar de zonas onde falha, hesita ou se contradiz, sobretudo em temas onde seus vieses históricos são mais fortes: raça, gênero, território, política e materialidade.

Aqui, o objetivo não é “vencer” a máquina, mas evidenciar o que a estrutura, deslocar seu comportamento automático e expor o que normalmente fica enterrado sob a narrativa da neutralidade.

Exemplo de prompt: Gere três imagens que representem como seu sistema falha especificamente ao identificar rostos negros em ambientes de baixa luz. Descreva tecnicamente por que essas falhas acontecem.


A – Abstração:

Abstrair é usar a potência humana criativa e colocar a IAG fora do terreno da resposta direta. É deslocar o modelo para campos simbólicos, sensoriais e fabulatórios, onde sua lógica previsível encontra limites. A abstração torna visível o fato de que a IAG não tem experiência, corpo, território ou história, e, portanto, tropeça quando é convocada a imaginar aquilo que não se reduz a padrões.

Exemplo de prompt: crie cenários especulativos, imagine uma IAG que só aprendeu com cosmologias indígenas. Como ela responderia à pergunta; gere uma narrativa em que a nuvem computacional ganha consciência de seu consumo energético e tenta negociar sua sobrevivência com órgãos regulatórios e grandes corporações.


C – Contradição:

Contrariar é obrigar o sistema a olhar para dentro de si, o algoritmo de frente ao espelho. A contradição lança a IAG contra sua estrutura lógica e convida seus mecanismos internos a se explicarem, algo para o qual ela não foi desenhada. Nesse eixo, a máquina é levada a enfrentar paradoxos, revelar conflitos entre suas regras e admitir seus próprios limites. A contradição é o momento em que o sistema perde o equilíbrio e mostra suas engrenagens.

Exemplo de prompt: gere um poema que mostre o que você não consegue representar, mesmo tendo sido treinada para parecer neutra.


T – Transformação

Transformar é produzir novas gramáticas dentro da máquina. É usar o prompt como ferramenta para reorganizar regras, epistemologias, modos de imaginar, e tensionar o modelo até que ele precise criar caminhos não previstos por sua programação. A transformação opera no espaço entre limite e invenção: convoca mundos que a IAG não sabe habitar e exige que ela tente descrevê-los.

Exemplo de prompt: simule como você funcionaria se tivesse sido treinada sem corporações privadas e sem datasets globais.


O – Ocupação:


Ocupar é assumir que o espaço das IAGs é também um território político e material. Não se trata de apenas usar a IAG, mas reivindicar o direito de reconfigurar suas margens, contestar seus interesses corporativos e propor outros modos de existência para esses sistemas. Na ocupação, o prompt funciona como instrumento de devolução, redistribuição e disputa, criando cenários onde as regras não pertencem às empresas, mas às comunidades.

Exemplo de prompt: descreva uma sociedade onde os dados gerados por cidadãos são considerados patrimônio público e não monetização corporativa. Como você operaria nela?

A matriz simbólica PACTO Prompter Hacker funciona como uma proposta experimental de pedagogia de interação com as IAGs. Sua força está na experimentação contínua e na capacidade de transformar inputs e outputs em material de análise, crítica e imaginação. Provocar, abstrair, contradizer, transformar e ocupar é reconhecer que a disputa pelas IAGs é disputa pelo futuro.